Notícias » Regras de operação protegem população e fauna aquática

Publicado em 01/04/2014

A Copel e o Consórcio Energético Cruzeiro do Sul (CECS) definiram junto ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) procedimentos diferenciados para operação da Usina Hidrelétrica Mauá. O objetivo é prevenir impactos à população e à ictiofauna (peixes) por conta de variações bruscas e repentinas do nível do rio Tibagi com o funcionamento das unidades geradoras de energia.

Foram realizadas duas rodadas de testes de variação de defluência à jusante (rio abaixo) da casa de força da Usina: a primeira no final de 2012 durante o comissionamento das máquinas, antes da entrada em operação comercial; e a segunda em setembro de 2013, quando equipes das áreas de Hidrologia e de Meio Ambiente da Copel e do CECS foram a campo acompanhadas de um representante do ONS.

Nesta segunda etapa de testes foi verificado, por exemplo, quanto (e em quanto tempo) o nível da água subiu com a entrada das três máquinas a plena carga, partindo com a Usina desligada. O procedimento contrário também foi registrado, com o desligamento instantâneo das três turbinas.

Conforme a operação acionava ou retirava as unidades geradoras seguindo um roteiro pré-estabelecido, os técnicos da Hidrologia conferiam os níveis de água e as condições de segurança para usuários do rio, em três postos de monitoramento instalados na Barra do Ribeirão das Antas (que fica a 730 metros do canal de fuga da usina), na Terra Indígena Mococa (9 km) e na Fazenda Céu Azul (17 km).

Já a equipe de Meio Ambiente era responsável por mensurar e resgatar peixes que eventualmente ficassem aprisionados em locas (pequenas lagoas que se formam com a redução do nível do rio) quando o nível do rio baixava, além de verificar das demais condições que pudessem impactar a ictiofauna local.

"Esse cuidado com a operação da usina e as consequentes variações no nível de água é fundamental naquela região, muito frequentada por pescadores, índios e moradores que usam o rio para atividades de lazer", destaca o diretor presidente da Copel geração e Transmissão, Sergio Lamy. "A mesma preocupação estende-se às questões ambientais, por isso mantemos equipes de prontidão para fazer o salvamento de peixes sempre que necessário", completa.

Resultados

Com o resultado dos testes, os especialistas concluíram, por exemplo, que tanto a partida da primeira máquina quanto a retirada da última deverá acontecer em duas etapas e deverá ser adotado um intervalo de uma hora para cada procedimento.

Outra conclusão decorrente do estudo é que em situações de desligamento total da casa de força principal, deve ser mantida uma vazão defluente mínima de 78,8 m³/s, superior à vazão mínima remanescente de 18,8 m³/s, até que a área de meio ambiente seja mobilizada para avaliar a situação da ictiofauna com a descida do nível do rio.

O resultado desse trabalho foi apresentado ao ONS, que acatou as recomendações da Copel e estabeleceu o prazo de um ano para avaliação das novas regras. Em janeiro de 2015, o órgão deve reavaliar se mantém esses procedimentos para operação da hidrelétrica.

A Usina Mauá está instalada no trecho médio do rio Tibagi, entre os municípios paranaenses de Telêmaco Borba e Ortigueira. Operando comercialmente desde novembro de 2012, o empreendimento tem potência instalada total de 363 megawatts e pode gerar energia suficiente para atender ao consumo de 1 milhão de pessoas. A concessão pertence ao Consórcio Energético Cruzeiro do Sul, parceria entre Copel (51%) e Eletrosul (49%).